sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Opinião Política – Primavera Russa


A Rússia foi recentemente sacudida por inúmeros protestos denunciando fraudes em suas eleições parlamentares. Trata-se de uma reação quanto a uma série de eventos que vem ocorrendo na Rússia desde a chegada de Vladimir Putin ao poder, que inaugurou um período marcado pelo forte autoritarismo, lembrando os tempos dos czares, do stalinismo e do comunismo. Como se sabe, durante o governo Putin houve a perseguição da imprensa, inclusive com o assassinato de jornalistas, restrições a democracia, repressão a manifestações, prisão de opositores políticos, o fim das eleições diretas para governadores, a estatização das companhias de petróleo e gás, a censura e controle dos meios de comunicação e a centralização do poder. Na área internacional, o governo Putin foi marcado por conflitos e repressão violenta na Chechêna, guerra contra a Geórgia pelo controle da Abkházia e da Ossétia do Sul, interrupção do fornecimento de gás para os países europeus, rusgas com os Estados Unidos e o Ocidente, disputas com os norte-americanos por influência nas ex-repúblicas soviéticas, ameaças de retaliação contra a Europa em face da instalação do sistema antimíssil e interferências políticas nas ex-repúblicas soviéticas, lembrando os tempos de Guerra Fria. Por outro lado, o governo Putin recuperou o orgulho nacional russo, fez a economia russa experimentar um forte crescimento econômico, puxado pela elevação dos preços dos commodities, principalmente o petróleo e o gás, recuperou a economia russa da crise deixada por Boris Ieltsin, quebrou os monopólios de grupos privados, recuperou a ordem e fez a Rússia voltar a ter papel de destaque e de potência no cenário internacional. Disso tudo, resultou sua alta popularidade entre os russos, que lhe deram dois mandatos consecutivos de presidente da República, elegeram seu sucessor político e indicado Dmitri Medvedev, que lhe nomeou primeiro-ministro e pretendem reelegê-lo presidente da República em 2012. Os protestos, apesar da recuperação russa, são sinais de que a população quer mudanças, mesmo que tímidas.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Opinião Política - Wall Street: O Povo Nunca Dorme


Nestes dias, Wall Street, o centro financeiro dos Estados Unidos foi sacudido por uma onda de protestos contra o sistema financeiro. Inúmeras pessoas montaram barracas em Wall Street, carregaram cartazes contra a globalização, organizaram manifestações por meio de blogs e das redes sociais, fizeram passeatas, depredaram prédios e gritaram palavras de ordem contra o sistema financeiro, inclusive a polícia teve que ser chamada para reprimir o ato, num movimento inédito nos Estados Unidos, lembrando os protestos pelos direitos civis e contra a Guerra do Vietnã. Trata-se de um protesto contra especuladores, operadores do mercado financeiro, operadores das Bolsas de Valores, operadores de Wall Street, rentistas, banqueiros, agiotas, os principais responsáveis pela crise econômica de 2008 que abalou e até agora abala os quatro cantos do planeta com forte desemprego, forte recessão, dívidas elevadas, quedas das Bolsas de Valores, desaquecimento da atividade produtiva, quebras de instituições financeiras, falências, demissões em massa, instabilidade, caos social, rebaixamentos de notas de classificação de risco dos governos e dos bancos e muita incerteza em relação ao futuro. Segundo os manifestantes, essa crise sistemática do mundo é um reflexo da ganância do homem, principalmente daqueles que não querem o benefício de todos e a satisfação de suas necessidades apenas, mas que buscam lucrar com especulação, juros, serviços da dívida, seguros, agiotagem, usura, câmbio, capital de risco e demais práticas desleais.