domingo, 12 de agosto de 2012

Exposição ABDIM - Memorial da América Latina


Opinião Política - Revolução no Mercosul





Nestes dias, a Venezuela de Hugo Chávez entrou no Mercosul, a revelia do Paraguai, numa armação rápida e bem forjada, despertando interesse e abrindo espaço para os governos bolivarianos de Bolívia e Equador, o que promete fazer o bloco pegar fogo literalmente. Como se sabe, o Paraguai foi suspenso do bloco pelos demais membros, a primeira expulsão do Mercosul desde a sua criação, logo depois do impeachment de Fernando Lugo e como punição ao processo relâmpago, o que facilitou a entrada de atropelo da Venezuela, uma vez que o Congresso paraguaio impunha obstáculos ao seu pleito. O Paraguai foi expulso do bloco porque feriu a cláusula democrática, que estabelece que apenas democracias podem fazer parte do Mercosul, uma vez que o impeachment de Fernando Lugo foi considerado ilegal e um golpe de Estado pelos demais membros, mas aceitou-se a entrada da Venezuela, uma verdadeira ditadura e tirania de Hugo Chávez, num processo de dois pesos e duas medidas. O Brasil alegou que aceitou a entrada da Venezuela no Mercosul porque com isso o bloco sai fortalecido, se tornando a quinta maior economia mundial, após Estados Unidos, China, Alemanha e Japão, se transformando numa potência energética global, em vista das reservas de petróleo encontradas na Venezuela, uma das maiores do mundo, passando a se estender da Patagônia ao Caribe e facilitando o processo de integração sul-americano. Além disso, o governo brasileiro frisou que ao longo da última década aumentou-se sete vezes as relações comerciais entre o Mercosul e a Venezuela. Um verdadeiro discurso nacionalista e ufanista. Com a entrada da Venezuela de Hugo Chávez no bloco, corre-se o risco de falharem as negociações entre o Mercosul e a União Europeia e os Estados Unidos.  Além disso, tem o risco Chávez com seu autoritarismo e protecionismo, verdadeiras ameaças a democracia e ao livre-comércio, bases do Mercosul. Como se sabe, o Mercosul foi criado em 1991, pelo Tratado de Assunção, ganhou personalidade jurídica em 1994 com o Protocolo de Ouro Preto, tinha como objetivo ser um mercado comum, com tarifa externa comum, livre circulação de bens, serviços e fatores produtivos e coordenação de políticas macroeconômicas, era formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, aceitou a entrada de Chile, Bolívia, Peru, Equador e Colômbia como membros associados, analisava o pedido de adesão da Venezuela como membro pleno e exerceu influência direta na criação em 2008 da UNASUL (União das Nações Sul-Americanas). De 1991 a 2008, o comércio no Mercosul passou de cerca de quatro para mais de trinta bilhões de dólares, mas não sem alguns problemas. O Mercosul viu seu comércio reduzido com a desvalorização do real em 1999 e a crise da Argentina em 2001-2002, recuperando-se com a retomada do crescimento econômico das nações que a compõem no século XXI. A Argentina tem imposto medidas protecionistas a exportadores de produtos manufaturados brasileiros para proteger a sua indústria, criando-se assim restrições e barreiras ao livre-comércio do bloco e evidenciando a assimetria existente no bloco, que é combatida com a criação de fundos e outros mecanismos financeiros em favor das economias mais fracas. Além disso, o Mercosul hoje cumpre parcialmente os objetivos de livre circulação de bens, serviços e fatores produtivos e coordenação das políticas macroeconômicas. A Venezuela de Hugo Chávez entrou no Mercosul de uma forma arbitrária e forjada e abriu as portas para a Bolívia de Evo Morales e Equador de Rafael Correa, o que promete arruinar de vez o bloco em vista do caráter antidemocrático e protecionista de seus líderes bolivarianos, enquanto o Paraguai foi expulso porque feriu a democracia, ações orquestradas com o apoio de Dilma Rousseff, revelando a contradição da política externa brasileira, uma verdadeira miopia.







José Serra (PSDB), Victor Kobayashi (PSD) e André Hidemi Suegama (PSDB)






sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Opinião Política - PRI: O Dinossauro Mexicano








Nestes dias, o México presenciou a vitória nas eleições presidenciais de Enrique Peña Nieto, o retorno ao poder do PRI, a derrota dos governos do PAN e a contestação dos resultados de seu pleito por Andrés Manuel López Obrador do PRD. Como se sabe, o México viveu 70 anos sob a hegemonia do PRI, entre 1930 e 2000, numa ditadura perfeita, em que prevalecia a corrupção, a fraude eleitoral, o clientelismo, o corporativismo, o paternalismo, o nacionalismo, a violência, a repressão e a democracia de fachada. Desde a Revolução Mexicana em 1910, o mesmo agrupamento político ficou no poder, mudando três vezes de nome, de Partido Nacional Revolucionário (PNR), em 1929, para Partido da Revolução Mexicana (PRM), em 1938, até que em 1946 mudou para Partido da Revolução Institucional (PRI), fato considerado como o fim definitivo da Revolução Mexicana. Durante a maior parte do domínio do PRI, partido que construiu o México moderno, foi feita a reforma agrária, ocorreram as nacionalizações, houve a nacionalização do petróleo e a criação da PEMEX, ação empreendida por Lázaro Cárdenas, os sindicatos de trabalhadores, grupos de camponeses e movimentos sociais ganharam força e foram cooptados e manipulados pelo governo, o Estado interviu fortemente na economia, prevaleceu o protecionismo e o modelo de substituição de importações e, por outro lado, o México se industrializou e houve forte crescimento econômico e relativa prosperidade. Nos governos de Madrid, Salinas e Gortari, na década de 80, no entanto, foram introduzidas medidas neoliberais, ditadas pelo FMI e pelo Consenso de Washington para conter a crise da divida externa mexicana, provocada pelo aumento dos juros pelo governo norte-americano e pelo choque do petróleo, uma vez que o crescimento mexicano era baseado no endividamento, e debelar a inflação, como privatizações, abertura da economia, desregulação financeira e controle cambial, fugindo do modelo adotado até então e evidenciando a sua falência. No governo de Ernesto Zedillo estourou a crise financeira mexicana da década de 90, chamada de efeito tequila, que teve repercussões internacionais e foi em plena globalização, causada pela falta de reservas internacionais em decorrência da fuga de capitais provocada pela crise politica provocada pelo levante de Chiapas, evidenciando a vulnerabilidade a que o México entrou com a adoção das medidas neoliberais, causando a desvalorização do peso. O governo mexicano, para conter a crise, contou com o apoio de um pacote de resgate norte-americano autorizado por Bill Clinton e, como parte do pacote, aprofundou a adoção de medidas neoliberais. Assim, privatizou as estatais, abriu a economia, aumentou o comércio com os Estados Unidos e o México passou a integrar o NAFTA, área de livre-comércio envolvendo Estados Unidos, Canadá e México, em 1994. Além disso, o governo de Ernesto Zedillo adotou reformas políticas, que por um lado, deram sobrevida ao PRI e por outro, ao lado da crise econômica, culminaram no fim de sua hegemonia de sete décadas, com a vitória em 2000 de Vicente Fox do PAN, sigla de direita. Sob o governo de Vicente Fox do PAN a democracia plena foi consolidada no México, foram adotadas medidas de cunho neoliberal, reduziu-se a corrupção e conquistou-se a estabilidade financeira, fatores que garantiram a continuidade do governo do PAN sob Felipe Calderón. O governo de Felipe Calderón aprofundou as medidas neoliberais, promoveu reformas nas leis trabalhistas e acelerou o processo de privatização interna da PEMEX, mais aberta ao capital estrangeiro. Porém, o governo Felipe Calderón empreendeu uma verdadeira guerra contra os cartéis de drogas, que contou com a ajuda dos Estados Unidos na sua luta contra o narcotráfico, inclusive com o envio de tropas do Exército para as ruas, que durante seis anos já deixou 60 mil mortos, gerando denúncias de violação aos direitos humanos, fato que gerou insatisfação popular e a vitória de Enrique Peña Nieto e de seu PRI. O PRD de Andrés Manuel López Obrador, de esquerda, assim como fez nas eleições de 2006 que deu vitória a Felipe Calderón do PAN, contestou o resultado, alegou que houve fraudes no pleito e pediu a recontagem dos votos. A vitória de Enrique Penã Nieto representa o retorno do PRI ao poder no México, mas com a promessa de renovação de suas práticas politicas. Só o futuro dirá.







quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Parceria IPK-ABDIM





Victor Kobayashi, por meio do IPK (Instituto Paulo Kobayashi), uma organização social, promove eventos culturais e colabora com a ABDIM há anos. Somente nos últimos dois anos o IPK levou 18 pacientes, seus cuidadores e funcionários da ABDIM para peças de teatro, espetáculos musicais, estádio de futebol e shows, dando oportunidades para muitos que nunca foram a esses lugares e proporcionando acesso a cultura e lazer. Os pessoal da ABDIM já foi assistir ao musical Mamma Mia no Teatro Abril, o espetáculo New York, New York no Teatro Bradesco, uma partida de futebol com o piloto de Fórmula 1 Felipe Massa e seus amigos no Estádio do Morumbi e ao show Batman Live no Ginásio do Ibirapuera. Durante o espetáculo Mamma Mia, o pessoal da ABDIM ouviu os sucessos em português do grupo musical ABBA, sucesso dos anos 80, e assistiu a reprodução em peça de teatro do filme de mesmo nome, num espetáculo da Broadway, de sucesso de público e que ficou em cartaz por mais de um ano. No espetáculo New York, New York, entrou-se no mundo de Nova York das décadas de 20 e 30, com a música New York, New York de Frank Sinatra e num show de músicas norte-americanas conhecidas e muitas luzes. No Estádio do Morumbi houve uma partida de futebol de confraternização de fim de ano que contou com a presença de figuras ilustres como o piloto Felipe Massa, o piloto Popó Bueno, o comentarista de futebol  Caio Ribeiro e o humorista Mendigo. Todos puderam pegar autógrafo e tirar foto com essas estrelas e tiveram acesso a todo o estádio. No show Batman Live, em que houve três oportunidades para levar o pessoal da ABDIM, mergulhou-se no mundo de Gotham City e do Batman, Robin,  Mulher Gato e Coringa e todos ficaram impressionados com o Bat Móvel, num espetáculo recorde de público, de produção norte-americana e que roda o mundo todo. Além disso, o IPK colabora com doações, ajudas, colaborações, voluntários e brindes nas diversas edições do Natal Solidário ABDIM/Harmonia, que neste ano chega em sua décima edição. Quem não curtiu o famoso gyoza, o pastel japonês? O IPK sempre esteve presente no Teishoku e Paella Solidário, que arrecada fundos para a festa de Natal, e no Natal Solidário ABDIM/Harmonia. E o IPK desenvolve projetos sociais em diversas áreas na ABDIM. O IPK (Instituto Paulo Kobayashi) se trata de uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Publico (OSCIP), sem fins lucrativos, que faz ações sociais e desenvolve projetos sociais para Pessoas Com Deficiência, terceira idade e pessoas carentes, tais como cursos de informática, cursos de culinária, festas, passeios ao teatro e workshops, e organiza eventos da comunidade japonesa, faz parcerias e conta com o patrocínio e apoio de diversas empresas, fundado no dia 30 de junho de 2005, cujas atividades foram oficialmente inauguradas em 05 de dezembro de 2005, presidida por Victor Kobayashi e que leva o nome de seu pai, o saudoso professor Paulo Kobayashi, que já foi presidente da Câmara dos Vereadores e da Assembléia Legislativa de São Paulo, o único político Nikkei a presidir as duas casas e considerado um dos melhores políticos de São Paulo. Victor Kobayashi, por meio do IPK, leva o pessoal da ABDIM para passear, abre oportunidades para quem tem limitações para sair de casa e para quem nunca sai de casa, promove a inclusão social para Portadores de Distrofia Muscular e Pessoas Com Deficiência e proporciona cultura e lazer para todos.

Contato
Site do Victor Kobayashi: http://www.victorkobayashi.com.br/








quarta-feira, 18 de julho de 2012

Opinião Política - Trambique no Paraguai





Nestes dias, o Paraguai assistiu ao impeachment de seu presidente Fernando Lugo, viu a chegada ao poder de seu vice Frederico Franco, foi expulso do Mercosul e da Unasul, sofreu pressões de seus vizinhos da América do Sul e viu a entrada da Venezuela no Mercosul. O presidente de esquerda Fernando Lugo sofreu um processo relâmpago de impeachment pelo Congresso Nacional que durou apenas 30 horas, fato que gerou especulações de um golpe de Estado, pois não teria tido tempo suficiente para se defender, logo após um episódio de conflito agrário em Curuguaty envolvendo sem-terra e fazendeiros que acabou em confronto armado, deixando 17 mortos. Fernando Lugo foi eleito em 2008 com uma bandeira de esquerda, prometendo durante a campanha promover a reforma agrária, aumentar o preço da energia de Itaipu pago pelo Brasil e reduzir as desigualdades sociais, com o apoio de movimentos sociais e de partidos de direita tradicionais, ao qual pertence Frederico Franco, rompendo um ciclo de hegemonia do Partido Colorado, há seis décadas no poder, vinha enfrentando crise politica com a Igreja Católica por assumir a paternidade de dois filhos tidos com duas mulheres quando ainda era bispo, vinha sendo acusado pelos fazendeiros brasileiros, os brasiguaios, de proteger e incitar os sem-terra paraguaios e era acusado de defender grupos guerrilheiros, como o Exército do Povo Paraguaio (EPP). Fernando Lugo, após a decisão do Congresso Nacional, fez um discurso afirmando que aceitava a decisão e pediu aos seus partidários que fizessem manifestações pelo país, reprimidas durante confusão em tentativa de invasão do Congresso Nacional. Frederico Franco, de direita, logo após assumir o poder, recebeu o apoio dos brasiguaios, que temiam os sem-terra. Como retaliação ao suposto golpe de Estado, o Paraguai foi suspenso imediatamente do Mercosul e da Unasul, ação osquestrada por Hugo Chávez, Cristina Kirchner e Rafael Corrêa e aceita por Dilma Rousseff. O Paraguai sofreu fortes pressões de seus vizinhos latino-americanos, encabeçadas por Hugo Chávez, que interrompeu o fornecimento de petróleo ao país, e inclusive chegou-se a cogitar a aplicação de sanções econômicas contra o Paraguai. Diante da suspensão do Paraguai do Mercosul, a primeira suspensão da história do bloco, os demais membros aprovaram imediatamente a entrada da Venezuela no bloco, uma vez que o Congresso Nacional do Paraguai impunha obstáculos a sua pretensão. Os Estados Unidos e a OEA afirmaram que não houve golpe de Estado, que a Constituição paraguaia foi respeitada, que o impeachment foi legitimo e que Fernando Lugo ia respeitar a decisão do Congresso. O que se vê no Paraguai é uma clara ingerência politica por parte de Hugo Chávez e seus aliados na soberania do país, com o uso do Mercosul e da Unasul como instrumentos de pressão política, claramente tendenciosos, uma vez que o impeachment de Fernando Lugo apesar de rápido respeitou a Constituição paraguaia e foi decidida pelo Congresso Nacional, órgão maior que representa a vontade popular, inclusive com a promessa de Fernando Lugo de que respeitaria a decisão, como se vê na alegação de que a suspensão do Paraguai do Mercosul se deu pelo fato de o país ferir a democracia e na aceitação da entrada imediata da Venezuela de Hugo Chávez no bloco, decisão apoiada inclusive por Dilma Rousseff.





quarta-feira, 4 de julho de 2012

Opinião Política - Oásis no Deserto







Após quase mais de um ano e meio de intensos protestos nas ruas, o Egito finalmente elegeu seu novo presidente. Mohamed Mursi da Irmandade Muçulmana, que derrotou Ahmed Shafiq, ex-primeiro-ministro de Hosni Mubarak e representante do antigo regime, tomou posse, sendo o primeiro presidente islamita e civil do Egito desde que o rei foi deposto, em 1952 pelos militares. Agora vive-se um impasse  político, uma vez que  dias antes do pleito, a Junta Militar que governava o país dissolveu o Parlamento e reduziu os poderes do presidente da República. Os eleitores da Irmandade Muçulmana prometeram fazer novas manifestações nas  ruas até que os poderes do presidente sejam plenamente restabelecidos. Além disso, há incertezas  acerca dos rumos de um governo da Irmandade Muçulmana. Vale lembrar que a Irmandade  Muçulmana foi fundada há 84 anos, em 1928 por Hassan al Basa para   promover os valores islâmicos e combater o domínio  colonial britânico, foi reprimida, banida e proibida de exercer atividades políticas pela ditadura militar egípcia, exerceu e aumentou sua  influência por meio de uma extensa rede de ação social, que preencheu o vácuo deixado pela incompetência do Estado em prover serviços básicos, influenciou movimentos islamitas do  mundo inteiro, incluindo alguns dos mais radicais, como o Hamas e a Al Qaeda de Osama bin Laden, e teme-se que se  implante  no  Egito um regime fundamentalista islâmico nos moldes do Irã, apesar de adotar um tom moderado e conciliador. Com a chegada ao poder da Irmandade Muçulmana, grupo que inspirou o Hamas, há dúvidas sobre o futuro das relações diplomáticas entre Egito e  Israel, pois sob Hosni Mubarak ambos eram aliados e mantinham um tratado de paz. Depois de 30 anos ininterruptos do governo de Hosni  Mubarak, marcados por repressão, corrupção, pobreza, injustiças e miséria, a população egípcia decidiu sair as ruas e ocupar a Praça Tahir exigindo a saída de Hosni Mubarak, na Primavera Árabe, e depois de quase um ano e meio de luta, em que o antigo regime fez manobras políticas para permanecer no poder, incluindo o futebol, a população egípcia finalmente encontrou um oásis no meio do deserto.