No ano de 2012 o mundo não acabou,
mas aconteceram muitas coisas. José Serra do PSDB perdeu as eleições de São
Paulo para Fernando Haddad do PT, pondo fim a sua carreira política e vencendo
a resistência dos paulistanos ao PT. Os nomes de Dilma Rousseff do PT, Aécio
Neves do PSDB e de Eduardo Campos do PSB despontaram como principais candidatos
para as eleições presidenciais de 2014. Barack Obama foi reeleito presidente
dos Estados Unidos, derrotando o republicano Mitt Romney e abrindo caminho para
a continuidade das mudanças implementadas na sociedade americana. A China
escolheu seu novo líder para a próxima década, tendo a redução de seu
crescimento econômico e a redução das desigualdades sociais como principais
desafios. Na Rússia, Vladimir Putin voltou ao poder e ameaça a democracia. Na
Europa, a crise econômica derrubou o italiano Silvio Berlusconi, o francês
Nicholas Sarkozy, o governo espanhol e o governo grego, em meio a grandes
manifestações populares contra as medidas de austeridade defendidas por Angela
Merkel da Alemanha. No Oriente Médio, o conflito na Síria se aprofundou e já
atinge o Líbano e a Turquia. Houve enfrentamentos militares entre Israel e o
grupo terrorista Hamas. O Egito teve suas primeiras eleições livres com a
escolha de um civil da Irmandade Muçulmana. O fundamentalismo islâmico ressurgiu
com protestos violentos contra um livro que retratava e satirizava o profeta Maomé.
Na Ásia, a disputa por uma ilha desembocou em protestos da China contra o Japão
que afetaram seus negócios. Hugo Chávez anunciou que tinha câncer, fez
tratamento e venceu mais uma eleição, conquistando seu quarto mandato e gerando
incertezas sobre a sua permanência no poder e sobre seu estado de saúde. Na América
Latina houve o impeachment-relâmpago do presidente paraguaio Fernando Lugo, num
processo que gerou temores de golpe de Estado. Isso fez com que países da região
liderados por Hugo Chávez apoiassem a expulsão do Paraguai do Mercosul, abrindo
espaço para a entrada da Venezuela no bloco. Na Argentina, a crise se
aprofundou e Cristina Kirchner se vê cada vez mais isolada, enfrentando
protestos populares e arranjando atritos com o Reino Unido em relação ao
controle das Malvinas. No México houve o retorno do PRI no poder com a vitória de
Enrique Peãa Nieto sobre o PAN, devido a violência que tomou o país com o
combate do tráfico de drogas. Na Colômbia houve o anúncio da retomada de negociações
de paz entre as FARC e o governo colombiano. O Corinthians venceu a
Libertadores e o Mundial de Clubes. O Palmeiras foi rebaixado para a série B do
campeonato brasileiro. Hebe Camargo, Marcos Paulo e Oscar Niemayer faleceram,
deixando o Brasil morrendo de saudades. Enfim, o mundo não acabou em 2012, que
venha 2013.
domingo, 6 de janeiro de 2013
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Opinião Política - Diagrama Espanhol
Nestes dias ocorreram eleições regionais na
Catalunha e a aprovação de uma consulta pública sobre sua independência,
abrindo caminho para as discussões sobre sua independência em relação a
Espanha, lembrando que o país já enfrenta discussões sobre a independência de
outra região, o País Basco. O sentimento separatista ganhou força de forma
súbita com a crise econômica pela qual a Europa vive neste momento, ressurgiu
de forma inesperada e teve início depois que milhares de catalães saíram as
ruas apoiados pelo governo local e com a aprovação de seu Parlamento de uma
consulta pública sobre o tema. Como se sabe, a Catalunha é uma comunidade
autônoma, com capital em Barcelona e cujo idioma é o catalão e tinha a
reinvindicação histórica de independência de certa forma enterrada. A Catalunha
é a região que mais contribui com o PIB espanhol, cerca de 18%, tem o maior PIB
entre as regiões espanholas, de € 210 bilhões,
é uma das cinco regiões mais industrializadas
da Europa, lá estão 60% das empresas dos Estados Unidos e da França com
sede na Espanha, além das grandes montadoras, como Volkswagen, Nissan, Renault,
Siemens, Sony e Microsoft e é a região mais endividada da Espanha, com rombo
que já soma € 41 bilhões e um déficit de 3,9% e que depois da crise pela qual
vivem a Espanha e a Europa se viu com mais poder de barganha. Além da
Catalunha, a Espanha enfrenta movimentos em favor da independência de outra região,
o Pais Basco. O País Basco é uma região onde vivem os bascos, que abrange a
Espanha e a França, que tem cultura própria, sobretudo seu idioma, o euskera, que
em 1978 conquistou alto grau de autonomia do governo espanhol e que possui
movimentos separatistas. O ETA (Euskadi Ta Askatasuna) é um grupo terrorista, criado
em 1959, que luta pela independência do País Basco, que cometeu inúmeros atentados
terroristas na Espanha, deixando um saldo de 800 mortes. Durante a ditadura franquista
contou com o apoio da população e apoio internacional por lutar contra o regime
e com a redemocratização e devido aos seus atentados e sua violência, combatidos
por forte pressão policial por parte do governo espanhol, se viu enfraquecido.
Em 2011, o grupo emitiu um comunicado anunciando o final definitivo de toda e
qualquer atividade, após 51 anos de violência. A Espanha em crise hoje vê
surgir de forma súbita o recrudescimento do movimento de independência da
Catalunha e agora convive também com o movimento de independência do País
Basco. Eis o diagrama espanhol.
sábado, 1 de dezembro de 2012
Opinião Política - Rixa Entre Israel e Palestina
Nestes dias, a ONU concedeu a
Palestina o status de Estado observador não-membro, com 138 países favoráveis,
incluindo o Brasil, e nove contrários, entre eles os Estados Unidos e Israel, num
gesto simbólico para o reconhecimento do Estado palestino, no dia que comemora
os 65 anos da partilha palestina, que previa a criação de uma nação judaica ao
lado de uma árabe. Essa decisão, no entanto, não significa a independência da
Palestina, mas, com ela, a Palestina poderá ingressar nas agências e órgãos da
ONU, o que pode representar mais um passo rumo ao distante processo de paz
entre Israel e Palestina. Vale lembrar que há poucos dias Israel e o Hamas
estiveram envolvidos em confrontos armados na Faixa de Gaza que deixaram 160
mortos e só tiveram fim com um acordo de cessar-fogo mediado pelo Egito.
Cenário vivido em 2009, em que Israel e Hamas se enfrentaram na Faixa de Gaza
durante semanas e cujos ataques só foram interrompidos após um cessar-fogo
unilateral de Israel, que se seguiu a retirada de tropas. Como se sabe, em 2007
após as eleições palestinas que deram vitória ao Hamas, o Hamas e o Fatah se
envolveram em uma breve guerra civil na Faixa de Gaza, vencida pelo Hamas, que
expulsou o Fatah do território, que passou a ocupar apenas a Cisjordânia, o que
culminou no rompimento entre Hamas e Fatah, marcando a divisão interna da
Palestina e um empecilho ao processo de paz com Israel. O Fatah controla a ANP
e seu presidente Mahmoud Abbas adota um discurso moderado. Já o Hamas defende a
destruição do Estado de Israel, é um grupo terrorista, recebe apoio do Irã,
exerce influência por meio de uma ampla rede de programas assistencialistas e
sociais e se formou a partir da Irmandade Muçulmana que atua no Egito. Os
conflitos tiveram origem a partir de 14 de maio de 1948 quando Israel declarou
sua independência, ao longo das discussões iniciadas em 1947 quando a ONU propôs
a criação do Estado de Israel, como forma de compensar os horrores do
Holocausto vividos pelos judeus durante a Segunda Guerra Mundial e de
solucionar o problema da imigração maciça de judeus que entravam em conflito
com a população árabe da Palestina, ao lado de um Estado árabe e palestino. Os exércitos
do Egito, Jordânia, Síria e Líbano atacaram imediatamente Israel, mas foram
derrotados. Em 1967 houve a Guerra dos Seis Dias, em que Israel derrotou Egito,
Síria e Jordânia e conquistou de uma só vez toda a Cisjordânia, as Colinas de
Golan e Jerusalém Oriental. Em 1973 houve a guerra do Yom Kippur, em que Egito
e Síria lançaram uma ofensiva contra Israel, mas foram novamente derrotados. Em
1987, aconteceu a primeira Intifada, em que milhares de palestinos protestaram
contra a ocupação israelense. A segunda Intifada aconteceu em 2000, após o primeiro-ministro
israelense Ariel Sharon ter visitado a mesquita Al-Aqsa, considerada sagrada
pelos muçulmanos, e que faz parte do Monte do Templo, área sagrada também para
os judeus. Desde então atentados terroristas, boicotes de palestinos,
lançamento de misseis palestinos, respostas desproporcionais do lado israelense
e a sua relutância em devolver os territórios ocupados impedem que a paz se
concretize. Inclusive, logo após a medida da ONU, Israel anunciou a decisão de
construir 3 mil casas em novos assentamentos em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia,
criticada pelos Estados Unidos e que promete esquentar ainda mais o conflito entre
Israel e Palestina, esse conflito que não tem fim.
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Opinião Política - Pax Colombiana
O governo colombiano e as FARC anunciaram nestes dias a
retomada de negociações de paz, o que pode pôr um fim definitivo ao conflito
colombiano, um dos conflitos mais antigos da América Latina, iniciado há cerca
de 50 anos, que já matou 30 mil pessoas, provocou homicídios, desaparecimentos,
sequestros e deslocamentos internos forçados e fez da Colômbia o quinto país
mais violento do mundo. O conflito colombiano teve origem nas disputas pelo
poder entre liberais, socialistas e conservadores. Os liberais se aliaram aos
socialistas para enfrentar os conservadores numa guerra civil que durou 16
anos, de 1948 a 1964. Em 1964, temendo a radicalização da guerrilha camponesa,
influenciada pela revolução cubana, os liberais se aliaram aos conservadores e apoiam
o envio de tropas ao povoado de Marquetália e os comunistas, em fuga para as regiões
montanhosas da selva constituem as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. As
Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) no início tinha como
objetivos criar um estado comunista na Colômbia inspirado em Fidel Castro,
promover a distribuição igualitária da renda, fazer a reforma agrária, pôr fim a
corrupção e o rompimento das relações com os Estados Unidos. As FARC atuam no meio
rural e utilizam táticas de guerrilha. A guerrilha de esquerda ELN (Exército de
Libertação Nacional) também passa a atuar na Colômbia, em 1965. Em 1968 é
criada uma lei que permite a formação de um exército de direita para lutar contra
os guerrilheiros de esquerda. Esse exército foge do controle nacional e em 1997
é criada a Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), formada por paramilitares. As
AUC são responsáveis por diversos massacres que ocorrem no país. Na década de
1990 as FARC chegaram a dominar cerca de 40% do território colombiano. No
entanto, as ações do exército colombiano, que durante o governo de Álvaro Uribe
implanta a política de Segurança Democrática e faz uma ofensiva linha-dura
contra o grupo, e o Plano Colômbia, acordo firmado com os Estados Unidos em 2000,
que previa um financiamento de 1,3 bilhão de dólares em ajuda financeira para
os programas de combate as drogas e cooperação militar dos órgãos de
inteligência dos dois países enfraqueceram de vez o grupo, que teve seu líder Manuel
Marulanda, o Tirofijo, assassinado em setembro de 2010. Há indícios de que as
FARC recebem apoio e proteção do governo de Hugo Chávez e do Equador de Rafael
Correa, como ficou evidente no ataque colombiano a um acampamento das FARC em
solo equatoriano em 2008. Para sobreviver, o grupo passou a se sustentar por
meio do tráfico de drogas e do sequestro de civis, sendo a partir de então considerado
uma organização terrorista. Com o tempo, as FARC perderam o apoio da população colombiana
que via no grupo uma alternativa para reparar as desigualdades sociais, com a
maioria de seus habitantes discordando de sua atuação. Diversas negociações foram
feitas entre o governo colombiano e os grupos guerrilheiros, todas fracassaram
e somente as AUC se desmobilizaram. As FARC e a ELN lutam para sobreviver. Se o
governo de Juan Manuel Santos conseguir negociar a paz com as FARC, uma vez que
vem ensaiando uma aproximação com o grupo, um passo importante e histórico será
dado na América Latina e poderemos viver finalmente em paz.
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Opinião Política - Congresso Chinês
Nestes dias, a China, a segunda maior
economia do mundo depois dos Estados Unidos, escolhe o seu novo presidente no
seu Congresso do Partido Comunista. Trata-se de uma escolha que ocorre a cada
dez anos, ocorrida a portas fechadas e de forma não democrática e que deve
confirmar o nome de Xi Jinping como presidente, que deve assumir o poder em
março. Xi Jinping representa a quarta geração da liderança chinesa após a morte
de Mao Tsé-Tung, sucedido respectivamente por Deng Xiaoping, Jiang Zemin e Hu
Jintao. Além de definir seus líderes, o Congresso do Partido Comunista serve para
discutir o futuro da China, que enfrenta muitos desafios. Por conta da crise econômica
de 2008, a China enfrenta a redução de seu ritmo de crescimento econômico, que
passou dos 10% anuais na década anterior para uma média de 7,5%, obrigando o
país a promover um pacote de estímulo em vez de reformas estruturais. O modelo econômico
que tirou 500 milhões de pessoas da pobreza precisa de reformas para continuar
crescendo e gerando empregos. As companhias estatais que dominam muitos setores
precisam ser abertas para a livre concorrência. O governo precisa dar mais
apoio a pequenas e médias empresas. Combater
a corrupção endêmica do governo se torna um objetivo fundamental. A diferença de renda entre regiões urbanas e
rurais aumentou 69% desde 1985, a pobreza prevalece e 480 milhões da população chinesa
vive sem acesso a sistema de esgoto e 120 milhões sem água potável. Temendo agitação
social, o governo tem implementado programas de erradicação da pobreza. A China
é o maior emissor de gases causadores do efeito estufa, com 20 das 30 cidades
mais poluídas do mundo, cujo número de carros nas ruas quadruplicou desde 2003
e tudo indica que vai depender do carvão como principal fonte de energia,
apesar de ter dobrado anualmente a capacidade de geração de energia eólica desde
2005. Na China, mais de 6 milhões de pessoas se formam em universidades
chinesas a cada ano, aumento de seis vezes em relação aos números de 1998,
substituindo a demanda por uma economia que crie apenas trabalho e riqueza, pela
demanda de serviços melhores e mais liberdade. Hoje, na China, 500 milhões de
pessoas usam internet, o que vem ajudando ativistas a organizar protestos
contra o governo, apesar do controle governamental. Mao Tsé-Tung foi o grande líder da Revolução
Comunista na China e implementou a Revolução Cultural que arruinou sua economia
e gerou fome. A morte de Mao Tsé-Tung permitiu a Deng Xiaoping implementar
reformas econômicas, tais como a abertura econômica ao capital estrangeiro, que permitiram a China ter uma taxa de
crescimento econômico de 10% e se tornar a segunda maior economia do mundo. Agora
é a vez de Xi Jinping.
sábado, 10 de novembro de 2012
Opinião Política - Um Novo Estados Unidos
O presidente dos Estados Unidos
Barack Obama do Partido Democrata foi reeleito, derrotando Mitt Romney, o
candidato do Partido Republicano. Os norte-americanos decidiram pela
continuidade do governo de mudança implementado por Barack Obama, que aos
poucos vem incluindo negros, latinos e mulheres na sociedade americana. No
plano internacional, o governo de Barack Obama tem promovido uma política de conciliação
com o Mundo Árabe, a América Latina, a África e a Ásia e tem evitado o
confronto com Rússia e China. Tal política foi responsável, por um lado, pelo
desmantelamento da guerra ao terror de seu antecessor George W. Bush, pela
retirada de tropas do Iraque e o anuncio da saída do Afeganistão e, por outro
lado, pelo assassinato de Osama Bin Laden, bombardeios na Líbia de Muamar
Kadafi, discussão do programa nuclear iraniano e negociações sobre a intervenção
militar na Síria. No plano interno, apesar da continuidade da crise de 2008, o
governo de Barack Obama tem conseguido estimular a economia e gerar empregos e,
apesar de emperrado, aprovou a reforma do sistema de saúde. A vitória de Barack
Obama foi saudada pela Europa, pela América Latina, pelo Brasil, pela China,
pela Rússia, considerada inimiga por Mitt Romney, e por Israel, que reafirmou a
aliança com os Estados Unidos. A vitória dos Democratas representou a escolha
da conciliação com o mundo sobre o isolamento dos Republicanos. A reeleição de
Barack Obama vai permitir ao seu governo a dar continuidade e aprofundar as
grandes mudanças prometidas em sua eleição, que ficaram abaixo das expectativas
geradas, talvez por falta de tempo. Assim, tudo indica que os Estados Unidos vão
se tornar um novo país, um país mais mestiço, mais liberal, mais moderno, mais
pacífico, menos conservador, menos branco, menos tradicional e menos belicoso.
Sai Falcões, sai Tea Party, sai Republicanos, sai George w. Bush, sai Tio Sam,
entra Tio Obama.
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