quarta-feira, 22 de maio de 2013

Opinião Política - Uma Década de Petismo








Neste ano completou-se 10 anos do governo do PT, com os mandatos do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff. O governo do PT foi marcado pela política de inclusão social, em que houve a redução da miséria, muita gente deixou de ser pobre, milhares saíram das classes D e E e a ascenderam a classe C e foi posta em prática uma das maiores políticas sociais e de combate a pobreza já visto, baseado na transferência de renda, tendo o Bolsa-Família como carro-chefe. No governo do PT houve programas que pretendiam garantir o acesso universal da população pobre ao ensino superior, a luz e a moradia com os programas Universidade para Todos, Luz para Todos e o Minha Casa, Minha Vida. O governo do PT, apesar de ser esquerdista em toda a sua história, adotou uma política mais moderada e responsável, impedindo que o Brasil seguisse os rumos da Venezuela de Chávez e da Argentina do casal Kirchner, sob forte populismo. Assim, o governo do PT manteve a estabilidade da economia e buscou combater a inflação, mantendo as mesmas políticas do governo Fernando Henrique Cardoso, apesar de ter sido um forte opositor ao Plano Real e suas políticas, o que permitiu a redução da pobreza e o crescimento econômico. Apesar de não ser vigoroso como antes, no governo do PT houve um crescimento econômico sustentável com estabilidade econômica e redução da pobreza, graças a continuidade das conquistas do governo anterior. O governo do PT mostrou que o desenvolvimento econômico pode caminhar junto com o desenvolvimento social, mostrando que são faces de uma mesma moeda e gerando um desenvolvimento sustentável. No governo do PT, a periferia passou a ser vista com outro olhar, havendo uma certa inversão de prioridades e uma desconcentração de renda da região Centro-Sul, sendo a região Nordeste e os estados de Pernambuco e da Bahia os maiores beneficiados e permitindo seu desenvolvimento econômico, reduzindo as desigualdades sociais internas. No governo do PT o consumo estourou com o surgimento da nova classe média, a redução da pobreza, a redução pontual de impostos incidentes sobre certos produtos e as políticas de crédito que permitiu o parcelamento em inúmeras prestações das compras, o que permitiu ao pobre ter seu primeiro carro, primeira casa, celular, viagem para o exterior, apartamento, computador e eletrodoméstico, coisa impensável anos atrás. O governo do PT mostrou que a integração latino-americana pode ser um caminho para promover o desenvolvimento independente da região, tratando os vizinhos como irmãos nos momentos bons e nos momentos difíceis, como durante os episódios da nacionalização do gás boliviano, do protecionismo argentino, da crise venezuelana e da redução da tarifa de energia cobrada do Paraguai, sem deixar que interesses comerciais destruam esses laços naturais. O governo do PT mostrou que o Brasil pode exercer papel de destaque e ser referência no plano internacional. O governo do PT manteve e continuou as políticas exitosas do governo anterior e aprofundou as políticas sociais, o que já lhe rendeu 10 anos no poder.








quarta-feira, 6 de março de 2013

Opinião Política - Terrorismo do Século XXI na Argélia





Nestes dias, o mundo viu como o terrorismo é cada vez mais internacional e sofisticado, formando uma rede global envolvendo diversos países dos quatro cantos do planeta. O exército argelino executou uma operação militar de resgate de centenas de pessoas mantidas reféns em um campo de exploração de gás por um grupo extremista ligado a Al Qaeda que exigia o fim da intervenção francesa no Mali que deixou 50 mortos e liberou 600 reféns. Tal episódio de terrorismo internacional nos mostra como o terrorismo dos nossos dias é cada vez mais globalizado, ultrapassando as fronteiras nacionais, formando uma rede global de operações e se utilizando de ferramentas cada vez mais modernas desenvolvidas com o avanço das novas tecnologias, relacionadas com a internet e sistemas de informação. O episódio da Argélia nos remete aos ataques ao World Trade Center e ao Pentágono de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos comandados por Osama Bin Laden da Al Qaeda que se encontrava escondido nas montanhas do Afeganistão sob proteção do Taleban. Neste caso, um conflito regional que estava ocorrendo no Mali, país localizado na África, envolveu outra nação, a Argélia, além do fato de envolver cidadãos ocidentais que se encontravam no país. No Mali, militantes islâmicos tomaram conta do norte do país e o dividiram em dois, e que pode virar um santuário para extremistas. Isso levou a França a enviar tropas em sua antiga colônia, com apoio da ONU e da comunidade internacional. Em represália, um grupo extremista ligado a rede Al Qaeda sequestrou reféns ocidentais para exigir o fim da intervenção francesa no Mali. A operação de resgate do exército argelino foi considerada dramática pela comunidade internacional e recebeu críticas por erros cometidos pelo exército argelino. Enfim, tal episódio ilustra como a evolução das táticas empregadas pelo terrorismo foi rápida e como elas se transformaram com o tempo, tornando suas ferramentas tão sofisticadas a ponto de a partir de um computador ligado a internet em uma caverna em um lugar distante e desabitado pode ser possível cometer o maior atentado terrorista em plena metrópole e no coração financeiro da maior potência mundial e como um conflito local em um dado país pode desembocar em um ataque realizado no território de um outro país envolvendo pessoas de diferentes nacionalidades. Eis o terrorismo do século XXI.





Opinião Política - Terror no Mali



Nestes dias, o mundo viu o lançamento de mais uma operação militar com o envio de forças internacionais para o continente africano, dessa vez para a República do Mali. A França aumentou a intervenção militar francesa para reforçar as tropas francesas já presentes no Mali e contou com o apoio da ONU. A missão teve como objetivo impedir que os rebeldes tomassem a capital Bamako e conter seu avanço para o sul do país. O Conselho de Segurança da ONU aprovou o envio de uma força internacional liderada por países africanos para recuperar o território e estabilizar a região. Além da França, o Reino Unido, o Canadá e os Estados Unidos se envolveram na operação. Houve fortes bombardeios na região desértica ocupada pelos militantes islâmicos. O Mali vive uma crise interna desde março de 2012, quando militantes islâmicos declararam a independência unilateral do norte do Mali, dividindo o país em dois. O grupo rebelde tuaregue Movimento Nacional para a Libertação de Azawad luta pela independência da região de Azawad. Os grupos radicais islâmicos ligados a rede terrorista Al Qaeda, que se juntaram ao movimento tuaregue, têm como objetivo introduzir a sharia em todo o país. Tal ofensiva 22 de março desencadeou um golpe militar que derrubou o presidente Amado Toumani Touré liderado pelo capitão Amadou Haya Sanogo, o que precipitou a queda do norte do país nas mãos dos grupos islâmicos. Os militares contestavam as ações do governo para reprimir os radicais islâmicos, consideradas brandas. O capitão se retirou do poder, assumindo interinamente Moussa Traore, até hoje no poder, e que pediu ajuda a França, sua antiga metrópole. Vale lembrar que o Mali era uma colônia francesa e se tornou independente da França em 1960. O Mali é um dos países mais pobres do mundo. O Ocidente teme que a área se torne um santuário para extremistas e uma base para lançamentos de ataques, em coordenação com ramificações da Al Qaeda situadas no norte da África. Os países africanos temem que o conflito provoque uma violenta reação dos islamistas e um desastre humanitário, com a crise dos refugiados. Desde o início do conflito, cerca de 150 mil refugiados migraram para os países vizinhos. Teme-se que a intervenção militar francesa no conflito do Mali possa despertar nas potências ocidentais tentações coloniais. O mundo assiste a mais uma intervenção ocidental na África, relembrando a expansão colonial imperialista e vê como o terrorismo internacional é cada vez mais global, abarcando os quatro cantos do mundo e envolvendo países inteiros.





segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Opinião Política - Equador Quer a Revolução





Nestes dias, o Equador reelegeu o presidente esquerdista Rafael Correa, em mais uma vitória do chavismo na América Latina, assumindo seu terceiro mandato consecutivo, podendo completar uma década no poder. Sua vitória se deu por meio dos programas sociais financiados pelo bom desempenho da economia, que cresceu 5,4% no ano passado, permitindo ao governo aumentar os investimentos em educação e saúde, responsáveis por fazer com que 1 milhão de equatorianos passassem à classe média. No entanto, tal crescimento econômico se deu em bases não muito sólidas, tendo a dependência excessiva do petróleo como principal fator. Rafael Correa teve o êxito em não ter até aqui acirrado a polarização do país para manter-se no governo, diferentemente de Hugo Chávez na Venezuela, e garantindo a estabilidade política do país. Vale lembrar que entre 1996 e 2006, o Equador teve 15 presidentes, sendo que três presidentes eleitos anteriormente não terminaram o mandato, tal a crise política e institucional vivida pelo Equador. Por outro lado, o governo de Rafael Correa foi marcado pela truculência com as multinacionais, como as brasileiras Odebrecht e Petrobras, e pelo calote da dívida externa, em 2008, que afugentaram os investidores externos, mas que foi compensada por acordos de financiamento com a China, somando US$ 7,3 bilhões.  Rafael Correa é acusado de ser centralizador, não aceitar críticas e ser um líder populista, que lhe renderam o título de caudilho. Rafael Correa aprovou uma nova Constituição que ampliou seus poderes e lhe deu direito á reeleição. Além disso, perseguiu críticos na imprensa, usou verba oficial para bancar jornais alinhados e condenou jornalistas. Em seu governo, houve ainda o exílio de quatro jornalistas ameaçados e o fechamento de ao menos onze meios de comunicação. E agora, Rafael Correa promete radicalizar ainda mais a revolução. Rafael Correa foi reeleito mesmo sendo uma ameaça a democracia já frágil do Equador por seu estilo autoritário e prometendo aprofundar ainda mais a revolução bolivariana, expandindo o chavismo na região, gerando rumores de um futuro incerto e sombrio para o país e a América Latina, já saturada com Hugo Chávez na Venezuela, Evo Morales na Bolívia e Cristina Kirchner na Argentina.









sábado, 23 de fevereiro de 2013

Opinião Política - O Faraó do Islã







O Egito foi tomado nesses dias por novos e intensos protestos nas ruas, no momento em que se completam dois anos da queda do ditador Hosni Mubarak, lembrando cenas da chamada Primavera Árabe. Os protestos se espalharam por várias partes do país e a praça Tahir, no centro de Cairo, foi novamente ocupada por uma imensa multidão, fazendo com que as autoridades decretassem estado de emergência e anunciassem que tal crise política pode levar ao colapso do Estado, havendo a perda de confiança nas instituições e a sensação de ausência de lei e ordem. Dessa vez, os protestos se voltam contra o presidente Mohammed Mursi da Irmandade Muçulmana, eleito democraticamente, nas primeiras eleições livres do país e que elegeu um civil. Os protestos são contra a ampliação dos poderes de Mohammed Mursi e a aprovação da nova Constituição, que muitos dizem favorecer a parcela islâmica da população. Acusam o presidente Mohammed Mursi de trair os ideais da revolução e de tentar impor uma ditadura islâmica, nos moldes do Irã, no país. Vale lembrar que a Irmandade Muçulmana, hoje no poder, é a maior e mais antiga organização islâmica do Egito. Fundada em 1928, com o objetivo de espalhar os preceitos do Islã, o movimento teve seus ideais disseminados rapidamente e, no fim da década de 1940, estimava-se que possuísse 2 milhões de seguidores no Egito. Logo o movimento ganhou ramificações em outras nações árabes, como a Síria e o Iraque. Em meados da década de 1950, a ascensão do teólogo Sayyid Qtub como liderança pôs a Irmandade Muçulmana no caminho do radicalismo. Qutb foi e continua sendo inspiração para grupos como o Hamas, o Hesbolah e até mesmo a Al Qaeda, prestando ajuda em dinheiro. Apesar de afirmar ter adotado o caminho da moderação e da renúncia a violência, o movimento desperta temor e desconfiança no Egito e no Ocidente, pois um de seus objetivos é criar gradualmente um Estado regido pela lei islâmica, a sharia. Além disso, o Egito viveu 30 anos sob a ditadura de Hosni Mubarak que obteve algum crescimento econômico, controlou a população com mãos de ferro e contou com o apoio dos Estados Unidos, de Israel e do Ocidente. No entanto, tal crescimento econômico não melhorou a vida da população egípcia, que conviveu anos com a corrupção de Hosni Mubarak e a pobreza. O Egito viveu 30 anos sob a ditadura de Hosni Mubarak e agora caminha para a ditadura do Islã.








sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Opinião Política - Venezuela Sem Chávez







A Venezuela viveu recentemente uma crise política e institucional decorrente da doença do presidente Hugo Chávez. Reeleito em outubro, Hugo Chávez deveria tomar posse para seu terceiro mandato consecutivo no dia 10 de janeiro. No entanto, Hugo Chávez se encontrava em Cuba desde o dia 8 de dezembro para fazer o tratamento contra um câncer na região pélvica, deixando em seu lugar seu vice Nicolás Maduro e gerando dúvidas sobre o procedimento a ser seguido devido a ausência do líder em sua própria posse. A Constituição venezuelana estabelecia que o juramento do presidente eleito ocorra sempre no dia 10 de janeiro, diante da Assembleia Nacional. Para o governo a posse era apenas uma mera formalidade desnecessária, uma vez que haveria a continuidade do governo pelo fato de o presidente ser o mesmo, propondo o adiamento da posse de Chávez. Esse adiamento visava impedir o acirramento da disputa interna entre as duas maiores facções do chavismo, a de Nicolás Maduro, vice-presidente, e a de Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional. Para a oposição, os chavistas tentavam dar um golpe e estender o mandato de Hugo Chávez. No fim, a Justiça, composta por chavistas, deu ganho de causa ao governo, considerando constitucional o adiamento por tempo indeterminado porque não haveria a interrupção do mandato. A adaptação da Constituição aos interesses chavistas contou com o apoio dos governos esquerdistas de Argentina, Equador, Peru, Uruguai, Bolívia e Nicarágua. Hugo Chávez já está no poder da Venezuela desde 1999 e se encaminha para seu terceiro mandato consecutivo sob a nova Constituição bolivariana. Em todo seu governo Hugo Chávez centralizou o poder na Venezuela em sua figura, a ponto de sua ausência criar um vácuo no poder e provocar uma crise política. Não se sabe quem teria força política suficiente para substituí-lo. Tudo indica que Nicolás Maduro é o favorito entre os chavistas para uma futura sucessão de Hugo Chávez, mas sem o brilho do líder bolivariano. 







quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Opinião Política - Israel na Direita







Nestes dias foram realizadas eleições parlamentares em Israel que deram uma vitória apertada ao primeiro-ministro de direita Benjamin Netanyahu do Likud, há sete anos no cargo (podendo superar Ben Gurion, um dos fundadores de Israel e seu primeiro governante), que vai ser obrigado a se aliar a outros partidos para formar um governo. Em seu governo, Benjamin Netanyahu buscou impedir que o Irã desenvolvesse armas nucleares, inclusive já anunciou o ataque israelense a usinas nucleares iranianas caso o Irã esteja próximo do grau de enriquecimento de urânio necessário para desenvolver a bomba atômica, que prometeu revidar e declarar guerra, fato já discutido com os Estados Unidos, seu maior aliado, de Barack Obama, o que pode desencadear uma crise regional de enormes proporções. Além disso, Benjamin Netanyahu não tem a intenção de celebrar o processo de paz com os palestinos, nem desocupar e abandonar a Margem Ocidental do território da Palestina, onde tem interesses estratégicos e históricos. Benjamin Netanyahu prossegue construindo e expandindo os assentamentos judaicos no West Bank, localizado nos territórios palestinos, o que vem impedindo qualquer negociação sobre o processo de paz entre Israel e Palestina, em conflito histórico, ao longo desses anos todos, e provocando declarações e críticas contra o país, inclusive com ameaças de imposição de sanções contra o país, por parte da comunidade internacional e até dos Estados Unidos, seu principal aliado. Vale lembrar que o Estado de Israel foi criado em 1948 no contexto de grande comoção internacional provocada pela descoberta dos horrores cometidos contra os judeus por Adolf Hitler com o Holocausto. O Estado de Israel foi criado no território da Palestina, por meio de sua divisão em dois Estados: um judeu e um árabe. Os árabes não ficaram satisfeitos e seus vizinhos atacaram seu território em várias ocasiões, em diversas guerras como a Guerra dos Seis Dias e a Guerra do Yom Kippur. Em todas elas os árabes foram derrotados por Israel, que expandiu seu território e expulsou milhares de palestinos. Em todos esses anos houve ataques palestinos como a Intifada e atentados terroristas por grupos radicais como o Hamas e o Hesbolah, ambos apoiados pelo Irã, que prega o fim do Estado de Israel, contra seu território. Em meio aos constantes ataques, Israel teve de desenvolver sua inteligência a ponto de seus serviços secretos, como o Mossad, serem os mais sofisticados do mundo e de possuir um setor de tecnologia bem desenvolvido. Israel, apesar dos conflitos, é um país desenvolvido e é a maior potência do Oriente Médio, em meio aos seus vizinhos pobres. Além disso, Israel é a única democracia da região, repleta de regimes autoritários. Os Estados Unidos são seu principal aliado, e essa aliança permitiu que Israel tivesse acesso a armas nucleares, inexistente nos demais países da região. A vitória de Benjamin Netanyahu do direitista Likud representa a continuidade do impasse histórico e que já dura mais de 60 anos entre Israel e Palestina e o risco de um conflito regional de grandes proporções com o Irã.