quarta-feira, 2 de maio de 2012

Opinião Política - Quebra-Cabeça Turco





A Turquia é um país complexo e vive vários dilemas ao mesmo tempo. No plano interno, a Turquia viveu um processo de secularização empreendido a mãos de ferro por Ataturk, o pai da Turquia moderna, que tornou a Turquia um país laico e buscou livrá-lo de qualquer influência islâmica. Tanto assim que o Exército é o responsável por vigiar e proteger o país dessa influência islâmica, impedindo a chegada ao poder de um governo islâmico e dando golpes de Estado contra governos que adotassem medidas de caráter islâmico. Vale lembrar que a Turquia é remanescente do antigo Império Otomano, bastião e defensor do Islã. A Turquia não é uma democracia plena, persegue opositores, persegue a imprensa, mantém prisões políticas medonhas, viola os direitos humanos, restringe protestos e reprime manifestações. Haja vista a forma como reprime as manifestações e as declarações de independência dos curdos. No plano externo, a Turquia se localiza entre dois continentes, Europa e Ásia, ora se identificando com uma ora com outra região, como fica evidente quando a Turquia participa dos torneios de futebol como europeu e quando critica os ataques israelenses na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, nos territórios palestinos. A Turquia é um dos aliados dos Estados Unidos, faz parte da OTAN e quer ingressar na União Européia, mas sofre restrições por parte deles porque grande parte de sua população é muçulmana e professa o islamismo, num verdadeiro choque cultural. A Turquia é repreendida pela Comunidade Internacional por não reconhecer o genocídio de armênios cometido pelo Império Otomano em 1915, no episódio que provocou a morte de 1,5 milhão de armênios. A Turquia enfrenta rusgas diplomáticas com a Grécia, devido a disputa por influência da ilha de Chipre, que segue dividida por áreas de influência grega e turca, sendo esta instalada por meio de um golpe de Estado apoiado pela Turquia, inclusive com o envio de tropas turcas. O maior desafio da Turquia é fazer parte da União Européia, hoje em crise, que impõe diversas exigências a Turquia para entrar no clube. Eles exigem que a Turquia seja uma democracia plena, não use a violência contra os curdos, reconheça o genocídio dos armênios, retire tropas de Chipre e adote reformas econômicas, mas desconfiam do país por ter população muçulmana e de ser pobre em relação aos países europeus, temendo sua imigração. Eis o quebra-cabeça turco.






Opinião Política - Putin, o Novo Czar





Dia 7 de maio, o primeiro-ministro russo Vladimir Putin toma posse como presidente da Rússia. A data marca o retorno de Vladimir Putin ao poder, depois do governo de seu aliado fiel Dmitri Medvedev, que o havia nomeado primeiro-ministro, tal a influência de Putin em seu governo. O governo Putin foi marcado pelo forte autoritarismo, típico de qualquer governante da Rússia. Vale lembrar que a Rússia foi governada pelos czares, por Stalin, pelos comunistas, por Boris Ieltsin, que não foi tão democrático pelos padrões ocidentais, e por fim por Vladimir Putin. Como de costume, no governo Putin houve repressão a protestos, prisões arbitrárias, perseguições políticas, censura da imprensa, assassinato de jornalistas, violações aos direitos humanos e cerco aos seus desafetos. Se não fosse a legislação russa, Vladimir Putin teria permanecido no poder até hoje, sem ter tido o governo marionete de Dmitri Medvedev. Vladimir Putin assumiu o governo em 1999 e deixou o poder em 2008 e buscou alterar a legislação para concentrar poderes em suas mãos. A cultura russa ao longo de toda a sua história nunca conviveu bem com os valores democráticos, desde Catarina II e demais czares até os dias de hoje. Na política externa, Vladimir Putin buscou recuperar e reforçar o papel de grande potência da Rússia no cenário internacional, objetivo idêntico ao dos czares, de Stalin e dos comunistas. No passado, o Império Russo era extenso e era poderoso, no entanto, vivia a margem das decisões mundiais tomadas na Europa, pois era uma potência menor se comparada com as potências ocidentais, mas tinha participação na definição dos rumos do planeta. No período de Stalin, enquanto o mundo agonizava com a crise econômica mundial, a então União Soviética ficou ilesa da crise, passando por um crescimento espetacular de sua economia. Após a Segunda Guerra Mundial, a União Soviética, ao lado dos Estados Unidos, emergiu como uma das superpotências, buscando exercer influência sobre metade do planeta e contrabalancear os Estados Unidos, na chamada Guerra Fria. Com o colapso e a desintegração da União Soviética, a Rússia assume um papel de reboque no cenário internacional, situação que se alterou com Vladimir Putin, que tentou recuperar o papel de destaque da Rússia no planeta. Assim, a Rússia reforçou no plano interno seu autoritarismo e no plano externo seu papel de grande potência, com Putin, o novo czar.



terça-feira, 1 de maio de 2012

Opinião Política - Mitos Sobre o Vietnã





Qualquer pensamento de tendência de esquerda e do Terceiro Mundo gostam de exaltar o Vietnã, as glórias do povo vietnamita sobre o exército norte-americano, a resistência do povo vietnamita frente as invasões das potências ocidentais e o crescimento vertiginoso da economia vietnamita. Esquecem que após a Guerra do Vietnã foi instalado no país uma ditadura comunista, que como sempre persegue cristãos e demais religiões, persegue oposicionistas ao regime, mantém o sistema de partido único, não é uma democracia, há execução de prisioneiros políticos, a arbitrariedade prevalece, os líderes não são eleitos pela população, não há liberdade de expressão, viola os direitos humanos, a imprensa é controlada pelo governo, a internet é censurada, típico de qualquer ditadura, e que, além disso, por ser comunista, provocou a morte por fome de milhares de pessoas, impulsionou a corrupção de seus dirigentes, arruinou sua economia e gerou miséria para toda a sua população. Além disso, o Vietnã se libertou da dominação das potências ocidentais para ficar sob o jugo da União Soviética. Ao perceber o desastre do comunismo e com a morte de Ho Chi Minh, seus líderes, assim como a China fez após a morte de Mao Tsé-Tung e a ascensão de Deng Xiaoping, decidiram abrir sua economia para os investimentos estrangeiros, mas manter fechado o regime político. O resultado disso foi a atração de investimentos e empresas estrangeiras e o país passou por longos anos por altas taxas de crescimento econômico, beirando a casa dos 9% ao ano, se tornando um dos países que mais crescem no mundo e que são um dos países de destaque na economia mundial. O Vietnã, no entanto, convive com a fome e a miséria de parcela de sua população, a pobreza afeta algumas regiões, tanto que o governo restringe o acesso dessas regiões pela mídia estrangeira e o autoritarismo do governo atropela alguns indivíduos na sua busca desenfreada pelo crescimento econômico. O Vietnã, para atrair as empresas estrangeiras, mantém uma mão-de-obra barata e intensiva, cujas condições de vida lembram a escravidão. O Vietnã é uma das principais estrelas da Ásia e do mundo, vem implementando reformas em sua economia, mostrou que é possível um país do Terceiro Mundo impor derrota a maior potência do planeta e é um exemplo de um país que sonha com a liberdade e a independência, porém, é uma ditadura sangrenta, não é uma democracia e é um dos poucos países do mundo que possui o nome comunista, ao lado de China, Coréia do Norte, Cuba e Laos.








segunda-feira, 30 de abril de 2012

Esporte - Divisão Internacional do Futebol


O mundo do futebol gira em torno do futebol europeu, é a Europa o centro do futebol mundial, o futebol das demais regiões do mundo é periférico. O futebol se popularizou a partir da Inglaterra e na Europa encontramos os clubes mais antigos de futebol, desde 1800 e pouco, o esporte mais popular do mundo. É na Europa que encontramos os maiores e melhores clubes do mundo, tais como o Barcelona e o Real Madri, da Espanha, o Chelsea, o Manchester City, o Manchester United e o Liverpool, da Inglaterra, o Milan, o Nápoli, o Inter de Milão e o Internazionale, da Itália, o Lyon, o Paris Saint-German e o Olympique de Marselha, da França, o Benfica e o Porto, de Portugal, o Bayern de Munique e o Bayer Leverkusen, da Alemanha e o Zenit, da Rússia. É na Europa que se encontram o maior número de seleções campeãs da Copa do Mundo, como a Itália, a Alemanha, a Inglaterra, a França e a Espanha. É na Europa que encontramos as grandes estrelas do futebol como Messi, Zidane, Figo, Raúl, Cristiano Ronaldo, Xavi, Niesta e Cannavaro. É para a Europa que migram os grandes craques revelados pelo resto do mundo, inclusive o Brasil, como Ronaldinho, Ronaldinho Gaúcho, Roberto Carlos, Rivaldo, Kaká, Robinho, Daniel Alves, Belletti, Pato e Fred. É na Europa que acontece a Liga dos Campeões da UEFA, o principal torneio de futebol do mundo, e os grandes campeonatos do mundo, como os campeonatos inglês, francês, alemão, italiano, espanhol e português. É na Europa que fica a sede da FIFA, entidade que organiza o futebol no mundo. É na Europa que o futebol é mais bem organizado, tem melhor infraestrutura e melhor tecnologia, com seus amplos, belos e modernos estádios, coisa de primeiro mundo.  A Europa seria o centro do futebol, onde os jogadores fazem o show, recebem os melhores salários, tem o maior apoio e suporte, tem o melhor treinamento e tem os melhores patrocínios, a América do Norte, a América Latina, a África, a Ásia e a Oceania seriam a periferia do futebol, onde os jogadores são revelados e se aposentam depois de serem aproveitados na Europa. Assim, na América Latina, o Brasil assume o papel de centro do futebol e os demais países latino-americanos como Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai seriam a periferia, como nos mostram os jogadores Valdívia, Maldonado, Lugano, Tévez, Masquerano e Rincón. Eis a Divisão Internacional do Futebol ou Soccer.





Opinião Política - CFK Versus YPF


O governo de Cristina Kirchner decidiu nacionalizar a YPF controlada pela companhia petrolífera espanhola Repsol, gesto que assustou os mercados internacionais e provocou atritos com o governo espanhol, do primeiro-ministro Mariano Rajoy. Diante da notícia houve protestos do governo do México contra a medida e os Estados Unidos decidiram dar apoio ao governo espanhol. Com esse gesto, Cristina Kirchner reforça o seu kirchnerismo, iniciado com seu ex-marido e ex-presidente falecido Nestor Kirchner, e segue as mesmas linhas adotadas por governos alinhados ao venezuelano e populista Hugo Chávez. E como sempre, o governo da presidente Dilma Rousseff adotou uma postura amigável com a Argentina, inclusive com conversas sobre um possível plano de investimento da Petrobrás no país, em pleno momento de perda de credibilidade do país no mercado internacional, repetindo gestos adotados pelo Brasil nos episódios das greves do setor petroleiro na Venezuela contra o presidente Hugo Chávez, da nacionalização do gás na Bolívia, do aumento da energia de Itaipu concedido ao Paraguai, que podem lesar o contribuinte brasileiro e que seguem na contramão da comunidade internacional. Quem sai no maior prejuízo nesta questão é a própria Argentina, uma vez que o país depende da tecnologia e de investimentos internacionais no setor, que somente as companhias internacionais detêm. O governo espanhol e a União Européia anunciaram que vão retaliar o gesto argentino, o que pode ter reflexos no Mercosul e no Brasil, pois ambos tem relações com a Argentina. A Argentina recentemente deu calote de sua dívida com credores internacionais, vem manipulando os dados sobre seus índices de inflação, nacionalizou outras companhias internacionais, como a Aerolíneas, persegue a imprensa, como o grupo Clarín, vem enfrentando o governo do Reino Unido com seus discursos reivindicando o controle das ilhas Malvinas e tem se aproximado do venezuelano Hugo Chávez e seus aliados. O governo de Cristina Kirchner tem adotado um estilo populista, desafiado a comunidade internacional, o que representa uma ameaça e um risco para Argentina, Brasil, Mercosul e América Latina e um obstáculo para a sua maior inserção no sistema internacional. E como sempre o governo do PT continua passando a mão na cabeça de Hugo Chávez e de seus companheiros.

CFK = Cristina Fernández de Kirchner 


quinta-feira, 26 de abril de 2012

Esporte - Rei Leão


O técnico do São Paulo, Emerson Leão não é mais o mesmo. Conhecido por seu estilo linha-dura pelos jogadores de todo time por onde passou, arrogante pela imprensa e truculento por pessoas com quem discutiu, Emerson Leão agora é todo zen, cheio de paz e amor, todo brincalhão e com sorriso largo no rosto. Desde que assumiu o comando do São Paulo, Emerson Leão tem se mostrado amigável com os jogadores, dando apoio, comandando-os, fazendo cobranças, orientando-os, treinando-os, fazendo brincadeiras e piadinhas, como um verdadeiro treinador, simpático com a mídia, com bom humor e até faz piadinhas, não lembrando nem um pouco o Leão de sempre. Vale lembrar que no passado Emerson Leão brigava feio com os jogadores, gritando com eles, inclusive chegou-se a falar que os jogadores costumavam fazer corpo mole e até complô para provocar a saída do treinador, tal a cobrança em cima dos atletas, vetava craques famosos bons de bola como forma de impor respeito e autoridade nos clubes, para mostrar que era ele quem mandava no pedaço, reclamava do juiz chegando a ser expulso por diversas vezes do campo, queria ensinar o juiz a apitar, xingava comentaristas de futebol, brigando ao vivo com eles nos programas esportivos, como se eles fossem burros, num show de baixaria, não tinha uma boa relação com a mídia e a imprensa, chegando ao ponto de empurrar repórteres, ser grosseiro e ser processado por eles, fazendo declarações polêmicas nas coletivas de imprensa, só para aparecer, brigando com os dirigentes dos clubes e perdendo o espírito esportivo e partindo para a ignorância. Emerson Leão exagerava e abusava de sua autoridade e comando, coisas imprencindíveis para pôr ordem na casa, recuperar os times, dirimir intrigas entre os jogadores e fazer o clube ser vencedor, perdendo o respeito. Emerson Leão era sinal de encrenca, barraco, autoritarismo, linha dura, briga, polêmica, confusão, grosseria, mandonismo e dava medo. Emerson Leão era chamado de chato, arrogante, barra pesada e uma pessoa difícil de lidar pelos jogadores O resultado disso tudo era derrotas e pouco tempo de permanência nos clubes, passando de time para time toda hora. Agora no São Paulo Emerson Leão mudou radicalmente de postura, ficou zen, ficou manso, tornou-se um leãozinho e tem tudo para fazer do São Paulo um time campeão e vencedor, com grandes chances de conquistar o titulo paulista de 2012.



Opinião Política - França Dividida



A França vive o período de eleições presidenciais e como sempre segue polarizada e dividida, mas agora sobre o pano de fundo da crise econômica que se abate sobre a Europa. Em seu segundo turno disputam o atual presidente de centro-direita Nicholas Sarkozy e o socialista de centro-esquerda François Hollande, moderados e praticamente empatados no primeiro turno, que agora disputam os votos de Jean-Luc Mélenchon de extrema esquerda, de Marine Le Pen de extrema direita e de François Bayrou de centro. O presidente Nicolas Sarkozy, que tenta a reeleição, defende a austeridade fiscal como forma de conter a crise que assola a Europa com crescimento econômico e o controle e imposição de restrições a imigração, bandeiras típicas de centro-direita. O socialista François Hollande defende o crescimento econômico para reverter a crise com austeridade, provoca rumores nos mercados internacionais e é a favor de uma certa integração dos imigrantes a sociedade francesa, políticas comuns de centro-esquerda. No primeiro turno, os extremistas Jean-Luc Mélenchon de esquerda defendia voltar a nacionalizar as empresas, aumentar o salário mínimo e adotar políticas que passam longe da austeridade e a direitista Marine Le Pen era contrária a políticas de austeridade, era contra o euro, defendia a volta do franco e tinha posições xenófobas contra os imigrantes. Já o centrista François Bayrou se equilibrava entre eles. Como se sabe a França segue estagnada, com elevado índice de desemprego, baixo crescimento econômico e com seu presidente Nicholas Sarkozy junto com a primeira-ministra alemã Angela Merkel coordenando esforços conjuntos para salvar a União Europeia da crise econômica por meio de um pacto fiscal entre seus membros estabelecendo o déficit zero. A França ainda não foi afetada pela crise que derrubou os governos de Irlanda, Portugal, Espanha, Grécia, Itália, Holanda, mas corre-se o risco de ser a bola da vez, assim como o Reino Unido e a Alemanha. A França sempre foi considerada o lugar onde o cenário político sempre foi polarizado e dividido entre esquerda e direita, principalmente na Revolução Francesa, passando pelas épocas de Napoleão Bonaparte, Charles de Gaulle, Miterrand e Jacques Chirac e hoje continua do mesmo jeito, mas agora sob o pano de fundo da crise econômica da União Européia, a maior crise do bloco desde a sua criação.